terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Geografia da insônia



Um cômodo é feito
de camas e quinas.
Meu coração tem leito profundo
e comportas de represa.

Quem dera ser corda de varal:
simples e curvilínea.
No breu eu tropeço
em ninhos de nós.

As janelas recolhem
zumbidos, feixes de luz.
Tudo me tenta,
menos o sono fechado.

Me encasulo em meus pulmões.
Respiro e expelo coisas doídas.
Na noite vazia elas ressoam entre
paredes brancas, pontes, quinas.


Um comentário:

Diogo Nunes disse...

Acho que esse é o que mais gosto. Adoro a passagem do "varal".

Escrevo sobre o cotidiano, mas, no caso do "mago poeta", é uma estória, e o poeta uma personagem. É uma brincadeira com a poesia, é um sarro. No mundo imaginário do poeta, tudo é livre - para ele, uma vez Deus. E as pessoas cismam - mesmo sendo "donas", no momento que escrevem, do mundo - sempre na caretice (acho que essa não é a expressão mais feliz) da repetição da repetição... amor, dor, primaveras,... enfim. Não sei se fui claro..(rs)
Dá uma passada, se vc tiver tempo, no outro blog.