sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Onca



Voce so me rastreja
Porque conhece o proprio corpo,
Mas nao sera sempre assim.
Um dia tudo isso, cabeca, coracao e vento

Lhe parecerao impedimento, e perderas
A docura violenta que te guia. Mesmo
A pele esguia te pesara sobre os ombros --

Capa chumbada como o ar que se parte,
Endurecido. A tua danca ja nao correspondera
Ao teu desejo minucioso --

Ficaras pra sempre vizinho da perfeicao,
Perto o bastante para doer sem sangrar.
E o tempo -- rato, anjo, serafim --
Te roendo ate o fim.



1997

Um comentário:

alessandra disse...

cada verso seu me avança e me arranha toda, me rabisca a alma compondo uma figura indecifrável, beijão!